"Eu quis cantar minha canção iluminada de sol, soltei os panos sobre os mastros no ar, soltei os tigres e leões nos quintais... mas as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer!
Mandei fazer de puro aço luminoso punhal, para matar o meu amor e matei: às cinco horas na avenida central. Mas as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer.
Mandei plantar follhas de sonho no jardim do solar.
As folhas sabem procurar pelo sol e as raízes procurar, procurar...
Mas as pessoas da sala de jantar, essas pessoas da sala de jantar, são as pessoas da sala de jantar.. são ocupadas em nascer e morrer."
Essa é para o meu amigo Marci Machado e a todos os que possuem alma de artista.
A música é dos Mutantes, aqui dá pra ver o vídeo na versão da Marisa Monte, minha preferida.
às
22:35
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Panis et circenses
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Rachel Kleinubing
às
10:32
"Sempre me pergunto se esses artistas contemporâneos têm alguma idéia de aonde vão chegar quando começam uma obra dessas". Com essa frase um dos Ricardos que conheci no Inhotim expressou sua consternação com aquilo que estava vivenciando. (Sim, um Ricardo foi comigo e ainda surgiram mais dois). Um executivo e um empresário paulistas... a velha necessidade de racionalizar. Em frente a eles um enorme Pinochio de bronze com uma caixa de madeira no lugar da cabeça, sentado sobre livros.
Brasileiros de vários lugares. Um grupo de franceses e outro de alemães também pude identificar pelos inúmeros e longos caminhos de pedra são tomé, perfeitamente desenhados. E desalinhados, como deve ser. Limpos, como não se poderia esperar naqueles dias chuvas e enchentes devastadoras para Minas Gerais.
I- N-H-O-T-I-N
Há 12 dias estou tentando encontrar a forma de falar sobre esse lugar. Não encontrei. Então decidi ir escrevendo pra ver no que vai dar. Assim como sugeriu meu colega de visita orientada.
"Parece com o que?" Me perguntam os amigos. Imaginar que se está na Europa, nos Estados Unidos, não. Não consigo traduzir, mas me vêm a Disney. Tenho vergonha de dizer (que comparação absurda!). Mas é isso mesmo. Porque Inhotim tem tudo o que a Disney tem essencialmente: perfeição, excelência, em oferecer uma experiência completamente inesquecível. Todos os detalhes, todos os momentos são inesquecíveis. Lá, para quem busca mergulhar no universo da fantasia da infância. Aqui, para quem ama a arte, o belo e a natureza. O design, a arquitetura, a gastronomia.
Sim, a arte é o ponto de partida. São nomes e obras que escrevem a história da arte contemporânea internacional. Galerias construídas (site-specific) para abrigar e dialogar com suas obras. Um trabalho realizado por alguns dos mais importantes curadores do mundo. Ok. Isso já seria o máximo. Mas é mais que isso. A experiência é completa. Restaurantes, bares, cafés, lanchonetes, aonde a comida, o design e a decoração é simplesmente um deleite. Tudo é feito com arte e perfeição.
Um dos integrantes do grupo pergunta: "De onde veio essa idéia de construir essa, essa... ilha, no meio do nada?" E a simpática mineira que nos orientava corrige: Acho que isso está mais para um Oásis... Pura verdade.
São jardins, instalações de arte contemporânea ao ar livre e mais de 500 obras de mais de 100 artistas contemporâneos consagrados em todo mundo (30 nacionalidades) , em mais de 20 galerias de arte.
Tudo, absolutamente tudo, interagindo com a natureza. Todas as construções se curvam e homenageiam a natureza. E no ponto mais central, ele: o poderoso, magestoso Tamboril, pelo qual caí de amores. Quis abraçá-lo, quis ficar sentada aos seus pés, à sua sombra e sentir-me a filha pequena da natureza. A mais protegida das criaturas.
Tem noção do que é isso? Eu não consigo descrever.
Era um sonho visitar o Inhotim. Mas ele é muito mais do que eu poderia imaginar. Não vi tudo, não deu tempo em dois dias.
Me emocionei, chorei, sorri. Ao invés de fotografar as obras de arte, fotografei as copas das árvores e tentei registrar um esquilo que parou, me olhou e juro que me pediu passagem, com uma semente na mão. Eu dei.
Quem é capaz de conceber um lugar assim? Bernardo Paz. Eu o vi, cruzei com ele. Sozinho. No carrinho elétrico que conduz os visitantes para as galerias mais distantes. Ele me viu e sorriu, e com esse seu gesto e nossa cumplicidade, me senti à vontade para visitar aquele lugar, que pareceu ser o pedaço mais especial da sua casa.
Fiquei pensando no que se passa na cabeça dele. Soube que ele não dorme, não faz nada além de viver esse sonho. Eu posso imaginar exatamente como é isso. Porque eu mal dormi entre o primeiro e o segundo dia de visita. E pensar que ainda tem o projeto de inclusão e cidadania, que leva arte a crianças carentes de toda região...
Não dá para fotografar as obras nas galerias. Ufa, que bom. Porque eu não poderia distrair minha emoção para registrar nada. Porque prefiro relembrar e resignificar a cada lembrança...
Como na Marcenaria, de Victor Grippo, em que se vê a luz entrando pela fresta da janela e desenhando uma nova cena a cada minuto do dia. Delineando os objetos e móveis, trazendo vida e dramaticidade... É para mim uma foto em preto e branco que ficará gravada na retina... Eu queria ficar lá, parada, olhando aquela poesia em tempo real acontecer: a essência do que dá sentido a tudo que acredito ser a beleza de uma fotografia.
O que é Inhotim? Não há resposta correta. Assim como para a pergunta dos meus colegas daquela breve caminhada. Não dá pra dizer se o artista sabe ou não o resultado do que está criando. Porque mesmo com um belo projeto, a arte, o Inhotim, a vida, dependem de questões que a gente não tem controle. Daquilo que o observador constrói no seu mundo interior a partir da obra. Da interpretação, do olhar, do sentido que se conquista, que se ganha e que se dá.
Inhotim, como a vida, só vivendo, mesmo.
www.inhotim.org.br
Os nomes e autores das obras que citei:
La Intimidad de La Luz em St. Ives, de Victor Grippo
Forty Party Motet, de Thomas Tallis
Sonic pavilion, de Doug Aitken
By Means of a Sudden, de Olafur Eliasson
Na foto: Narcissus Garden, de Yayoi Kusama
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Para o INHOTIM não há resposta correta
3comentários
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Rachel Kleinubing
"Sempre me pergunto se esses artistas contemporâneos têm alguma idéia de aonde vão chegar quando começam uma obra dessas". Com essa frase um dos Ricardos que conheci no Inhotim expressou sua consternação com aquilo que estava vivenciando. (Sim, um Ricardo foi comigo e ainda surgiram mais dois). Um executivo e um empresário paulistas... a velha necessidade de racionalizar. Em frente a eles um enorme Pinochio de bronze com uma caixa de madeira no lugar da cabeça, sentado sobre livros.
Brasileiros de vários lugares. Um grupo de franceses e outro de alemães também pude identificar pelos inúmeros e longos caminhos de pedra são tomé, perfeitamente desenhados. E desalinhados, como deve ser. Limpos, como não se poderia esperar naqueles dias chuvas e enchentes devastadoras para Minas Gerais.
I- N-H-O-T-I-N
Há 12 dias estou tentando encontrar a forma de falar sobre esse lugar. Não encontrei. Então decidi ir escrevendo pra ver no que vai dar. Assim como sugeriu meu colega de visita orientada.
"Parece com o que?" Me perguntam os amigos. Imaginar que se está na Europa, nos Estados Unidos, não. Não consigo traduzir, mas me vêm a Disney. Tenho vergonha de dizer (que comparação absurda!). Mas é isso mesmo. Porque Inhotim tem tudo o que a Disney tem essencialmente: perfeição, excelência, em oferecer uma experiência completamente inesquecível. Todos os detalhes, todos os momentos são inesquecíveis. Lá, para quem busca mergulhar no universo da fantasia da infância. Aqui, para quem ama a arte, o belo e a natureza. O design, a arquitetura, a gastronomia.
Sim, a arte é o ponto de partida. São nomes e obras que escrevem a história da arte contemporânea internacional. Galerias construídas (site-specific) para abrigar e dialogar com suas obras. Um trabalho realizado por alguns dos mais importantes curadores do mundo. Ok. Isso já seria o máximo. Mas é mais que isso. A experiência é completa. Restaurantes, bares, cafés, lanchonetes, aonde a comida, o design e a decoração é simplesmente um deleite. Tudo é feito com arte e perfeição.
Um dos integrantes do grupo pergunta: "De onde veio essa idéia de construir essa, essa... ilha, no meio do nada?" E a simpática mineira que nos orientava corrige: Acho que isso está mais para um Oásis... Pura verdade.
São jardins, instalações de arte contemporânea ao ar livre e mais de 500 obras de mais de 100 artistas contemporâneos consagrados em todo mundo (30 nacionalidades) , em mais de 20 galerias de arte.
Tudo, absolutamente tudo, interagindo com a natureza. Todas as construções se curvam e homenageiam a natureza. E no ponto mais central, ele: o poderoso, magestoso Tamboril, pelo qual caí de amores. Quis abraçá-lo, quis ficar sentada aos seus pés, à sua sombra e sentir-me a filha pequena da natureza. A mais protegida das criaturas.
Tem noção do que é isso? Eu não consigo descrever.
Era um sonho visitar o Inhotim. Mas ele é muito mais do que eu poderia imaginar. Não vi tudo, não deu tempo em dois dias.
Me emocionei, chorei, sorri. Ao invés de fotografar as obras de arte, fotografei as copas das árvores e tentei registrar um esquilo que parou, me olhou e juro que me pediu passagem, com uma semente na mão. Eu dei.
Quem é capaz de conceber um lugar assim? Bernardo Paz. Eu o vi, cruzei com ele. Sozinho. No carrinho elétrico que conduz os visitantes para as galerias mais distantes. Ele me viu e sorriu, e com esse seu gesto e nossa cumplicidade, me senti à vontade para visitar aquele lugar, que pareceu ser o pedaço mais especial da sua casa.
Fiquei pensando no que se passa na cabeça dele. Soube que ele não dorme, não faz nada além de viver esse sonho. Eu posso imaginar exatamente como é isso. Porque eu mal dormi entre o primeiro e o segundo dia de visita. E pensar que ainda tem o projeto de inclusão e cidadania, que leva arte a crianças carentes de toda região...
Não dá para fotografar as obras nas galerias. Ufa, que bom. Porque eu não poderia distrair minha emoção para registrar nada. Porque prefiro relembrar e resignificar a cada lembrança...
Como na Marcenaria, de Victor Grippo, em que se vê a luz entrando pela fresta da janela e desenhando uma nova cena a cada minuto do dia. Delineando os objetos e móveis, trazendo vida e dramaticidade... É para mim uma foto em preto e branco que ficará gravada na retina... Eu queria ficar lá, parada, olhando aquela poesia em tempo real acontecer: a essência do que dá sentido a tudo que acredito ser a beleza de uma fotografia.
E o que dizer do som das 40 vozes independentes em um coral de caixas de som? Como ouvir sem fechar os olhos e estremecer. E ser remetido a outros tempos, outro universo? E dos sons capturados e amplificados no Sonic Pavillion, a partir de um buraco de 200 metros de profundidade, que mostra que a terra vive, vibra e nos fala em ondas.
E do iglu de Olafur Eliasson, onde podemos ver uma fonte de água que se move se transformar em cenas estáticas, através do simples uso da luz negra?O que é Inhotim? Não há resposta correta. Assim como para a pergunta dos meus colegas daquela breve caminhada. Não dá pra dizer se o artista sabe ou não o resultado do que está criando. Porque mesmo com um belo projeto, a arte, o Inhotim, a vida, dependem de questões que a gente não tem controle. Daquilo que o observador constrói no seu mundo interior a partir da obra. Da interpretação, do olhar, do sentido que se conquista, que se ganha e que se dá.
Inhotim, como a vida, só vivendo, mesmo.
www.inhotim.org.br
Os nomes e autores das obras que citei:
La Intimidad de La Luz em St. Ives, de Victor Grippo
Forty Party Motet, de Thomas Tallis
Sonic pavilion, de Doug Aitken
By Means of a Sudden, de Olafur Eliasson
Na foto: Narcissus Garden, de Yayoi Kusama
às
01:52

De tudo que surgiu, se revelou,
de tudo que marcou meu 2011,
o que mais ficou
desse ano-recém-passado
é o valor do agora.
O valor de fazer presente
o amor.
Não adiar.
Nem sempre a gente ganha
a segunda chance
pra permanecer...
Eu quero essa chance,
quero ela pra mim
quero usar todo o meu ser
quero meu coração aberto
meu sorriso largo
meu olho brilhando
e lágrimas soltas,
em 2012.
Quero ser mais inteira,
mais presente,
mais erros e riscos
pra ter muitos acertos
em novos caminhos.
E colocar o amor em dia, em gesto.
Mais valor às conquistas pra fortalecer os sonhos.
E ser sempre grata às ondas da vida
que me mostram a profundidade e a escuridão,
pra eu valorizar a luz e a mansidão.
Que venha o novo!
Novo ano, de novos dias
de novas horas, de novos minutos
de muitas inspirações e expirações,
que me levem à profundidade
de tudo em que eu possa mergulhar.
sábado, 31 de dezembro de 2011
sobre 2011 & para 2012
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Rachel Kleinubing

De tudo que surgiu, se revelou,
de tudo que marcou meu 2011,
o que mais ficou
desse ano-recém-passado
é o valor do agora.
O valor de fazer presente
o amor.
Não adiar.
Nem sempre a gente ganha
a segunda chance
pra permanecer...
Eu quero essa chance,
quero ela pra mim
quero usar todo o meu ser
quero meu coração aberto
meu sorriso largo
meu olho brilhando
e lágrimas soltas,
em 2012.
Quero ser mais inteira,
mais presente,
mais erros e riscos
pra ter muitos acertos
em novos caminhos.
E colocar o amor em dia, em gesto.
Mais valor às conquistas pra fortalecer os sonhos.
E ser sempre grata às ondas da vida
que me mostram a profundidade e a escuridão,
pra eu valorizar a luz e a mansidão.
Que venha o novo!
Novo ano, de novos dias
de novas horas, de novos minutos
de muitas inspirações e expirações,
que me levem à profundidade
de tudo em que eu possa mergulhar.
às
20:38
Sentar na areia da praia, em posição de Budha, fechar os olhos, respirar ritmadamente por alguns minutos... Perceber que há espaço para muito mais ar do que poderia supor.. perceber que sou muito mais, muito maior, quando me conecto com essa força, essa perfeição que é a natureza e toda sua vibração e energia.
Que tal deitar na areia, como se ela fosse uma cama de natureza... na postura do cadáver (sim, a yoga nos faz aprender também com a morte, com a posição mais estática e repousante que pode existir...), mas ao invés de fechar os olhos, olhar para o céu e ver nuvens se movendo preguiçosamente, em pleno final de dia...
E aproveitar para pensar em tudo que a vida traz e leva de nós. Ouvindo as ondas do mar, que vão e vêm quebrar aqui perto... E deixar os pensamentos irem e virem, ir e vir, cá e lá.. ondas de pensamentos, sentimentos... estar vazio, estar repleto... de ar, de amor, de vida.
Hoje eu fiz isso... e por isso esse é o meu convite para você nesse final de ano. Praia, grama, rio... ou dentro do apartamento...
É final de um ciclo, mais um. Mais uma onda quebrando, mais uma garça que se aproxima, observa, pesca seu jantar e vai embora.
E eu fico. Fico ali sentada, agradecendo a Deus por me permitir quebrar os protocolos do que deveria ser uma simples caminhada no final de outro dia de férias.
Agradeço... e peço luz, imploro por equilíbrio, por conexão. Com a luz, A sabedoria que tanto busco e que tanto foge de mim.
Desejo luz a você, com quem compartilho esse momento mágico.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Que tal fazer diferente?
4comentários
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Rachel Kleinubing
Sentar na areia da praia, em posição de Budha, fechar os olhos, respirar ritmadamente por alguns minutos... Perceber que há espaço para muito mais ar do que poderia supor.. perceber que sou muito mais, muito maior, quando me conecto com essa força, essa perfeição que é a natureza e toda sua vibração e energia.
Que tal deitar na areia, como se ela fosse uma cama de natureza... na postura do cadáver (sim, a yoga nos faz aprender também com a morte, com a posição mais estática e repousante que pode existir...), mas ao invés de fechar os olhos, olhar para o céu e ver nuvens se movendo preguiçosamente, em pleno final de dia...
E aproveitar para pensar em tudo que a vida traz e leva de nós. Ouvindo as ondas do mar, que vão e vêm quebrar aqui perto... E deixar os pensamentos irem e virem, ir e vir, cá e lá.. ondas de pensamentos, sentimentos... estar vazio, estar repleto... de ar, de amor, de vida.
Hoje eu fiz isso... e por isso esse é o meu convite para você nesse final de ano. Praia, grama, rio... ou dentro do apartamento...
É final de um ciclo, mais um. Mais uma onda quebrando, mais uma garça que se aproxima, observa, pesca seu jantar e vai embora.
E eu fico. Fico ali sentada, agradecendo a Deus por me permitir quebrar os protocolos do que deveria ser uma simples caminhada no final de outro dia de férias.
Agradeço... e peço luz, imploro por equilíbrio, por conexão. Com a luz, A sabedoria que tanto busco e que tanto foge de mim.
Desejo luz a você, com quem compartilho esse momento mágico.
às
23:33
Alguns fatos que aconteceram nesses dias e especialmente as reflexões que ficaram do filme Jardim Secreto e dos depoimentos do Steve Jobs me fizeram pensar. Sobre mudança. E sobre a coragem de correr o risco e de aceitar o fim como espaço para o novo...
Para mim o filme fala sobre romper a linha do estabelecido, abrir as portas para a nova atitude. Questionar o paradigma/ paradoxo de que o menino doente e tido como aleijado deve perder a chance de viver, para que possa continuar vivo.
O paradigma de que as coisas devem continuar como são, por que é assim que deve ser. Humm, quem determina isso? Quem é o senhor das decisões da nossa vida, do nosso mundo?
Quando a gente muda, tudo muda ao redor de nós. Isso é fato. Então, quem sabe temos que ser nós a tomar a iniciativa do primeiro passo.
Você já pensou que ao invés de causar um grande impacto (um grande cataclisma) ao assumirmos as rédeas e dizermos "opa, dessa vez eu quero seguir por esse caminho", pode acontecer o inverso e os "condutores" podem passar as rédeas para a gente, em reverência? E até acabarem se sentido aliviadíssimos porque finalmente estão livres do sentimento de responsabilidade a até de culpa por guiarem nosso destino?
Penso muito nisso.
Pensei muito também nessa questão de superproteção dos frágeis, quando tive que conviver com situações de doença e a decisão de até onde deve ir a precaução para evitar o risco. Até onde ela é benéfica e onde inibe a vida de fluir, com todos os riscos, mas também todas as surpresas maravilhosas que ela nos traz.
Enfim, ainda dá pra traçar um paralelo entre esse "viver o risco", aceitar a morte e o Sr. Steve Jobs. Que grande descoberta que esse homem foi para mim, agora, depois de morto. Um homem que aprendeu a ver a presença da própria morte como uma grande oportunidade de renovação, de geração do novo. Que sabedoria, que leveza diante do seu próprio drama. A frase completa, já super-divulgada e que me marcou: "A morte é talvez a melhor invenção da vida. É o agente que faz a vida mudar. É eliminar o velho para dar espaço para o novo."
Que venha o novo!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Morte, vida e mudança
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Rachel Kleinubing
Alguns fatos que aconteceram nesses dias e especialmente as reflexões que ficaram do filme Jardim Secreto e dos depoimentos do Steve Jobs me fizeram pensar. Sobre mudança. E sobre a coragem de correr o risco e de aceitar o fim como espaço para o novo...
Para mim o filme fala sobre romper a linha do estabelecido, abrir as portas para a nova atitude. Questionar o paradigma/ paradoxo de que o menino doente e tido como aleijado deve perder a chance de viver, para que possa continuar vivo.
O paradigma de que as coisas devem continuar como são, por que é assim que deve ser. Humm, quem determina isso? Quem é o senhor das decisões da nossa vida, do nosso mundo?
Quando a gente muda, tudo muda ao redor de nós. Isso é fato. Então, quem sabe temos que ser nós a tomar a iniciativa do primeiro passo.
Você já pensou que ao invés de causar um grande impacto (um grande cataclisma) ao assumirmos as rédeas e dizermos "opa, dessa vez eu quero seguir por esse caminho", pode acontecer o inverso e os "condutores" podem passar as rédeas para a gente, em reverência? E até acabarem se sentido aliviadíssimos porque finalmente estão livres do sentimento de responsabilidade a até de culpa por guiarem nosso destino?
Penso muito nisso.
Pensei muito também nessa questão de superproteção dos frágeis, quando tive que conviver com situações de doença e a decisão de até onde deve ir a precaução para evitar o risco. Até onde ela é benéfica e onde inibe a vida de fluir, com todos os riscos, mas também todas as surpresas maravilhosas que ela nos traz.
Enfim, ainda dá pra traçar um paralelo entre esse "viver o risco", aceitar a morte e o Sr. Steve Jobs. Que grande descoberta que esse homem foi para mim, agora, depois de morto. Um homem que aprendeu a ver a presença da própria morte como uma grande oportunidade de renovação, de geração do novo. Que sabedoria, que leveza diante do seu próprio drama. A frase completa, já super-divulgada e que me marcou: "A morte é talvez a melhor invenção da vida. É o agente que faz a vida mudar. É eliminar o velho para dar espaço para o novo."
Que venha o novo!
às
13:25
Há alguns anos, a minha cunhada, toda feliz, me entregou um presente que chegou em um momento perfeito. Me fez bem. Ela me contou o elogio que eu havia recebido de uma conhecida, uma pessoa bem distante do meu convívio. Me causou surpresa e me deixou tão animada! Então comentei com ela que é uma pena que as pessoas guardem pra si esse tipo de impressão. Que muitas vezes as pessoas não ficam sabendo disso, nem imaginam que são motivo de admiração, carinho, enfim.
Desde então fui formatando minha opinião sobre essa questão.
Penso que esta é a base da generosidade. Porque quando gostamos, amamos, admiramos ou temos uma opinião positiva sobre alguém isso pertence a essa pessoa. Se o sentimento gerado foi motivado pela pessoa ou por sua ação, ele deixa de ser de quem sente e passa a pertencer a quem despertou e conquistou o direito sobre esse sentimento.
E o que temos que fazer é simples: DAR. Entregar ao outro. Deixar que ele saiba. Presenteá-lo com essa boa impressão, essa dádiva. Isso pode mudar o seu dia, a sua vida!
E isso vale em tudo. No trabalho, no amor, na família, nas amizades e entre desconhecidos.
Um exercício ótimo é elogiar um desconhecido. Porque é o elogio mais verdadeiro e gratuito que existe.
Mas eu não falo só de elogio, falo de amor. Falo de entregar o que é do outro.
Se você ama, entregue seu sentimento ao outro. Não guarde como uma jóia do seu tesouro pessoal, que você só usa em ocasiões muuuito raras, ou como instrumento de barganha. Esse tesouro não é nosso, é do outro. E quando entregamos ao outro iniciamos um ciclo retro-alimentável e infinito de energias positivas.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Generosidade em ação
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Rachel Kleinubing
Há alguns anos, a minha cunhada, toda feliz, me entregou um presente que chegou em um momento perfeito. Me fez bem. Ela me contou o elogio que eu havia recebido de uma conhecida, uma pessoa bem distante do meu convívio. Me causou surpresa e me deixou tão animada! Então comentei com ela que é uma pena que as pessoas guardem pra si esse tipo de impressão. Que muitas vezes as pessoas não ficam sabendo disso, nem imaginam que são motivo de admiração, carinho, enfim.
Desde então fui formatando minha opinião sobre essa questão.
Penso que esta é a base da generosidade. Porque quando gostamos, amamos, admiramos ou temos uma opinião positiva sobre alguém isso pertence a essa pessoa. Se o sentimento gerado foi motivado pela pessoa ou por sua ação, ele deixa de ser de quem sente e passa a pertencer a quem despertou e conquistou o direito sobre esse sentimento.
E o que temos que fazer é simples: DAR. Entregar ao outro. Deixar que ele saiba. Presenteá-lo com essa boa impressão, essa dádiva. Isso pode mudar o seu dia, a sua vida!
E isso vale em tudo. No trabalho, no amor, na família, nas amizades e entre desconhecidos.
Um exercício ótimo é elogiar um desconhecido. Porque é o elogio mais verdadeiro e gratuito que existe.
Mas eu não falo só de elogio, falo de amor. Falo de entregar o que é do outro.
Se você ama, entregue seu sentimento ao outro. Não guarde como uma jóia do seu tesouro pessoal, que você só usa em ocasiões muuuito raras, ou como instrumento de barganha. Esse tesouro não é nosso, é do outro. E quando entregamos ao outro iniciamos um ciclo retro-alimentável e infinito de energias positivas.
às
20:22
Toda vez que faço uma viagem fico pensando em quanta coisa legal e curiosa deveria registrar e contar. Daí volto no maior agito, uma correria danada pra retomar as coisas do trabalho e acabo deixando prá lá.
Mas dessa vez vou falar um pouquinho sobre o Chile.
Passamos lá 7 dias. Foi uma viagem deliciosa, e consideramos a época perfeita para ir com as crianças e curtir a emoção de subir a Cordilheira dos Andes, ver neve para todos os lados e "tentar" esquiar.
Ficamos em Santiago do Chile e também visitamos Val Paraíso e Viña Del Mar.
Santiago é uma cidade impressionante. Pelo tamanho, pelo desenvolvimento e pelas opções de lugares legais de conhecer e curtir. Não tem o valor histórico da Europa, nem o seu romantismo, não se parece nada com a Buenos Aires boêmia.. mas eu diria que é uma mistura das duas e um pouco de São Paulo ou Nova York.
Podem me chamar de maluca, mas é que a cidade é tão grande que tem um clima diferente em cada pedaço!
Por isso eu adorei a viagem. Talvez por isso que tanto brasileiro procure Santiago para as férias do meio do ano.
Curtimos um monte também o fato de levar as crianças. Para eles, a grande atração foi ver a neve, tocar, cair, brincar e também a aula de ski, na qual, diga-se, fui um fiasco completo!
Por que ninguém nunca me contou que era tão insuportavelmente desconfortável vestir aquelas botas e ainda por cima ter que sair andando??? Elas são inclinadas para a frente e vc tem que se equilibrar, caminhar e manter os joelhos flexionados o tempo inteiro. É demais para mim, requer mais neurônios e disposição muscular do que eu tenho disponível na flor dos 36.
Mas, enfim, depois de meia hora de aula, um professor desistente, 219 tombos, muitas risadas, vários gritos e alguns"encavalamentos" em outros alunos, tirei uma foto linda... dá pra enganar todo mundo dizendo que eu sou uma intrépida esquiadora. (Ops, agora não mais...) Vejam abaixo a elegância, o domínio do equipamento e a supremacia técnica... e outra hora conto mais.
sábado, 17 de setembro de 2011
Tombos no Chile
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Rachel Kleinubing
Toda vez que faço uma viagem fico pensando em quanta coisa legal e curiosa deveria registrar e contar. Daí volto no maior agito, uma correria danada pra retomar as coisas do trabalho e acabo deixando prá lá.
Mas dessa vez vou falar um pouquinho sobre o Chile.
Passamos lá 7 dias. Foi uma viagem deliciosa, e consideramos a época perfeita para ir com as crianças e curtir a emoção de subir a Cordilheira dos Andes, ver neve para todos os lados e "tentar" esquiar.
Ficamos em Santiago do Chile e também visitamos Val Paraíso e Viña Del Mar.
Santiago é uma cidade impressionante. Pelo tamanho, pelo desenvolvimento e pelas opções de lugares legais de conhecer e curtir. Não tem o valor histórico da Europa, nem o seu romantismo, não se parece nada com a Buenos Aires boêmia.. mas eu diria que é uma mistura das duas e um pouco de São Paulo ou Nova York.
Podem me chamar de maluca, mas é que a cidade é tão grande que tem um clima diferente em cada pedaço!
Por isso eu adorei a viagem. Talvez por isso que tanto brasileiro procure Santiago para as férias do meio do ano.
Curtimos um monte também o fato de levar as crianças. Para eles, a grande atração foi ver a neve, tocar, cair, brincar e também a aula de ski, na qual, diga-se, fui um fiasco completo!
Por que ninguém nunca me contou que era tão insuportavelmente desconfortável vestir aquelas botas e ainda por cima ter que sair andando??? Elas são inclinadas para a frente e vc tem que se equilibrar, caminhar e manter os joelhos flexionados o tempo inteiro. É demais para mim, requer mais neurônios e disposição muscular do que eu tenho disponível na flor dos 36.
Mas, enfim, depois de meia hora de aula, um professor desistente, 219 tombos, muitas risadas, vários gritos e alguns"encavalamentos" em outros alunos, tirei uma foto linda... dá pra enganar todo mundo dizendo que eu sou uma intrépida esquiadora. (Ops, agora não mais...) Vejam abaixo a elegância, o domínio do equipamento e a supremacia técnica... e outra hora conto mais.
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