terça-feira, 18 de maio de 2010

As sem-razões do amor

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Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 17 de março de 2010

Já deu pra ti, inferno astral

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Sabe o verdadeiro significado de inferno atral? Eu sei!
Foi dureza esses dias pré aniversário. Mergulhei fundo em um processo reflexivo obsessivo.
E por isso, hoje que se iniciou o meu novo ano, agora com a responsa dos 35, preciso pedir algumas desculpas. Se nem eu me aguentei nesses dias, imagina quem convive comigo. Prova disso: o Pedro me viu chegar toda sorridente outra noite, falando suave, beijando e abraçando, e falou: "O que aconteceu contigo que você está tão querida?" .... dureza.
Mas sabe o que é o melhor do inferno astral? É sair dele com abraços, beijos, presentes, demonstrações de carinho. Ver que mesmo mal humorada, silenciosa ou ausente, lá estão os amigos, a família, pra lembrar e servir de espelho das muitas coisas boas que a gente tem e que a gente é.
Obrigada queridos, por me fazer sentir tão amada no meu dia...

Ilustração: O Grito, de Edvard Munch

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sair de Casa

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Sair de casa. Sim. Afastar-se daquilo que é certo, rotineiro, conhecido, normal.

Agora que o período tradicional de afastamento da rotina se encerra e que consigo retomar o contato com o blog, penso que esse seja um assunto interessante.
Tive a oportunidade de sair de casa, literalmente, no final do ano. Não falo da tradicional fuga para as férias no litoral, mas de uma segunda fuga, para um mundo muito diferente.
Foram quatro dias na Ilha do Mel, no Paraná. Sair da super-agitada e burguesa Praia Brava, em Florianópolis e mergulhar na aventura de pegar um barco-lotação e ir parar na ilha que, pra início de conversa não tem nem transporte motorizado. Bicicleta é o máximo da agilidade por lá.
Claro que fui com a cabeça e o coração preparados para curtir esse mundo de simplicidade, natureza selvagem e entrar na vibração do local. Amei, é claro.
Mas honestamente, fiquei impressionada com o tempo que demorei para mudar minha vibração e sintonizar naquela realidade. Justo eu, que sou louca por tudo isso... confesso que sofri com a mudança drástica.
Vivi um pequeno drama pessoal. Que ridículo. Mas porque? Porque estou simplesmente viciada em adrenalina, compromisso, coisas pra fazer, agenda cheia...
Bom, depois de 2 dias entendi o que estava acontecendo, porque só então entrei no ritmo.
No andar muito, e à pé. No caminhar com as crianças pelas estradinhas de areia repletas de arvores e folhas, no tempo deles: dando dois passos bem lentos e ainda parando para vê-los analisar o bichinho, a folhinha, o vento. Ficar, e simplesmente ficar, na água da praia com as ondinhas indo e vindo até anoitecer, só curtindo o tempo passar e observando a mudança do céu, os movimenos das crianças...
Depois do segundo dia comecei a rir. Por qualquer motivo, mesmo. Comecei a achar muita graça da menor besteira, ou das muitas enrascadas que nos metemos... tudo ficou tão... LEVE. Leve ao ponto de passar 24 horas vendo chuva cair do céu, sem ter absolutamente nada para fazer e ainda assim achar muito gostoso.
E quando entramos no barco para ir embora, e perguntei para o Ricardo o que achou do passeio, perceber que ambos estávamos tristes de deixar a ilha e voltar à "civilização". Deixar a ilha e, com ela, aquela paz.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tempo pra cabeça

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O dia nascendo na Praia Brava. Férias, sol e um calor imenso. Ano novo. Muitas promessas e expectativas.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Não vem do Sim

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Ás vezes a gente passa a vida com algumas convicções intuitivas e nunca descobre se aquilo realmente faz algum sentido para os outros. O fato é que estou aprendendo algo que sempre me fez refletir muito. É sobre o poder do Não positivo. Que fecha com a última postagem, a falta de espaço, a ausência, ou, dito de outra forma, a falta de NÃOs.
Para quem faz terapia, ou reflete sobre o que realmente importa na vida, esse é um tema sempre presente. Mas eu não tinha a idéia tão organizada sobre o assunto. 
Ainda estou na primeira metade do livro, mas já adorei a sua teoria, que diz que o segredo do NÃO é que ele só dá certo de verdade quando vem de um SIM  poderoso. Um sim que a gente diz pra nós mesmos, pra algo realmente importante e fundamental para nós.
Quando temos uma verdade primordial como causa maior da necessidade de dizer NÃO, fica tudo mais simples. A gente se sente com o direito de negar, se sente seguro. A outra pessoa, por sua vez, tem uma tendência muito maior de respeitar o seu Não. E no final, há uma grande chance de chegar ao um SIM. Que é o acordo positivo, ou a compreensão da sua decisão e até mesmo na não ruptura de uma relação, ou na ruptura sem raiva. O que é algo muito importante para todos os seres humanos. Ser amado, aceito, bla, bla...
Então andei pensando sobre todas as vezes que eu quis muito dizer NÃO e não falei. E em quantos SIMs poderosos eu tinha por trás das vezes que tive sucesso nos meus NÃOS. E sobre as vezes que segurei o NÃO justo para depois explodir cheia de ressentimento por algum outro motivo injusto, e em como isso foi destrutivo para mim e para a outra pessoa.
Também pensei nas vezes que simplesmente calei por medo de perder. Ou por não saber a forma certa de colocar o Não sem ofender, magoar e me sentir culpada.
Daí também pensei em tantas pessoas que conheço que são incapazes de dizer um NÃO bem dito (equilibrado, firme e tranquilo). Das pessoas que preferem calar e que deixam as relações irem se degradando aos poucos pelo ressentimento e dor que isso causa em quem engole seus próprios NÃOs e para aqule que convive com alguém que não assume seus prórpios limites. E de como é difícil depois de muito tempo se libertar dessa raiva. E como deve ser difícil imaginar, "como teria sido se eu tivesse ditos aqueles NÃOs que eu tanto precisava, que eram justos, que eram o respeito à minha grande verdade interior e eu não disse".
Foto: José Canelas

sábado, 28 de novembro de 2009

Eu mesma, o retorno

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Vou começar assim, pedindo desculpas.

Sim, porque carrego uma culpa imensa de tudo o quer não tenho conseguido fazer nestes últimos dois meses.

Acabei de ler no blog que temos eu, a Thaisa (minha irmã na itália) e mamis Evani, uma postagem da própria progenitora falando sobre culpa. E sobre a necessidade de ter leveza em aceitar nossos limites. E percebi que esse é o assunto que está me pegando. Então é perfeito para retornar ao blog.

Porque culpa é o tema do momento, mesmo. Parece que no final do ano é o "grande momento da culpa do mundo". E a hora do tudoquenãofiz e tudoqueaindaquerofazernesteano. Haja coragem para encarar a listinha. Começa no trabalho. E nós lidamos na Nova com a listinha da gente e também com a listinha de todos os clientes... E o pior é que a gente quer meeeesmo abraçar a listinha deles como se fosse a nossa própria lista. Daí... o que acontece?

Acontece que a listinha da mãe, da mulher, da amiga, da filha, do ser humano que tem necessidades básicas e fisiológicas acaba ficando em segundo plano, porque simplesmente o coração é graaande e o tempo é cuuurto.
Então, vamos às desculpas: desculpem filhos, afilhados, marido, mãe, irmã, cunhada, sogra, sogro, amigas...fisioterapeuta, dentista, massagista, psicóloga... pelas ausências, atrasos e silêncios.
Sinto muito mas não está dando.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Fotos na Decorare

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A história é longa... e antiga. No meu projeto de conclusão de curso produzi fotografias de nu feminino na paisagem fantástica do Canion Guartelá, de Irati/PR.
A idéia era apresentar o Canion, em um livro, onde entrariam fotos coloridas de registro da natureza (produzidas pelo meu colega Dilmércio Daleffe) e fotos preto e brancas dos mesmos locais, criando um paralelo entre realidade e imaginário. Entre fotojornalismo e foto arte.
Bem, o projeto foi feito. Levou uns 8 meses pra ser concluído. Naquela época, eu fotografei uns 10 rolos de filme, umas 360 fotos. Das quais foram selecionadas cerca de 30 para entrar no livro. Imaginem o trabalho, revelar, ampliar (tudo manual) e selecionar. No fim, o projeto foi um sucesso. Tiramos 9.8, se não me engano, porque um dos professores implicou com a metodologia científica da monografia.
É claro que o livro não o foi publicado, porque não encontramos patrocinador. E as fotos ficaram guardadas, encaixotadas por 13 anos!
Até que, semana passada, a Fernanda Moschetta, arquiteta, minha amiga, me perguntou se eu teria alguma foto para colocar no ambiente dela, na Decorare.
Vocês já imaginam o fim da história... Selecionamos seis dessas fotos e elas estão no Banheiro Público Masculino da Decorare. E eu estou muito feliz! Aqui, uma das fotos, que não está da Decorare, pra vocês sentirem a proposta.
 

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